sábado, 27 de setembro de 2025

Um rei, um profeta e uma pasta de figos

Em Isaías 38, lemos a história do rei Ezequias, de quando ficou doente e não tinha mais jeito. Sua doença era incurável, mas ele não se conformou e pediu a Deus que o livrasse daquele mal. 

Deus podia ter curado a Ezequias diretamente, mas prescreveu uma pasta de figos para o profeta Isaías preparar e colocar sobre a chaga a fim que sarasse.

Sim, Deus pode usar pessoas para orientar pessoas com ferramentas naturais, tangíveis ou mesmo psicológicas e emocionais, como também ocorreu na situação dos erros graves de Davi e seu tratamento através do profeta Natã.

Nós pedimos a Deus as nossas curas ou aquilo que achamos ser o melhor para nós e Deus pode usar seres humanos e processos naturais para nos atender. 

Infelizmente, em Isaías 39 está revelado que Ezequias não usou bem a bênção maravilhosa que teve: mais quinze anos de vida. Sua vida ganhou esses anos extras, mas Ezequias não amadureceu de fato, parecendo que só ficou mais velho. Cometeu os erros de quem não tem gratidão profunda ao Criador, pois teve a vida física renovada, mas não a sua mente. 

Ezequias não testemunhou a bênção nem o doador da mesma quando teve oportunidade. Priorizou a divulgação de sua riqueza e de sua prosperidade materiais. Foi egoísta, atraindo a miséria para a sua descendência. Depois de errar e conhecer o futuro, disse: “ainda bem que terei paz em meus dias”. Não se preocupou, portanto, com o legado que deixaria.

Que o exemplo de Ezequias nos inspire a buscar ajuda para nossas dificuldades. Entretanto, que saibamos reconhecer as bênçãos e ser gratos por elas. E que com o passar dos anos, aprendamos a   “contar os nossos dias, para alcançar corações sábios!” (Isaías 90:12).

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Tênis velho


Um dia de agosto de 2025, pela manhã, procurei meu tênis para calçar, mas não o encontrei. Meu filho já estava arrumado, aguardando por mim para  levá-lo à escola. De repente, olhei para os pés dele e achei meu tênis! Ele me disse que queria ficar diferente nesse dia e por isso o havia calçado. Fiquei um pouco confusa porque não sabia como iria fazer meus exercícios (sim, eu só tinha um) e ele me disse: calce o meu, mãe! 


Nesse momento, percebi que o pé dele havia crescido e sim, eu poderia calçar seu tênis. Logo nas primeiras passadas, senti um desconforto considerável, pois a palmilha estava bem gasta. Eu perguntei se estava tudo bem com o meu tênis  e ele me respondeu que sim. Perguntei se achava algo diferente em relação ao tênis dele e ele disse que não. 


Embora eu tenha sentido muita diferença, ele não sentira. Com certeza, o pé dele é diferente do meu ou apenas o nível de percepção do desconforto. Além disso, cada um pode estar tão acostumado com as suas dores, seu próprio jeito, as suas marcas e os seus calos que às vezes nem percebe que os tem. Contudo, os efeitos desses desconfortos podem gerar consequências: um tênis inadequado, por exemplo, pode gerar problemas e lesões no pé, nos joelhos, na coluna, principalmente em quem pratica esporte. 


Compreender o outro talvez seja mais eficiente quando calçamos o seu tênis. Como mãe, me senti na obrigação de comprar um tênis novo para meu filho. Talvez demorasse mais semanas para chegar a esta conclusão se não os tivesse calçado. 


Lembro-me de que nesta idade, não avisei à minha mãe que estava com um dente doendo e fui suportando até não aguentar mais, pois a ouvira comentando com meu pai que as coisas estavam apertadas naquele mês. O resultado foi uma cárie muito maior naquela época e consequências até hoje em um dente permanente que passou por endodontia, vários  blocos e um implante. 


Um juvenil da vizinhança estava muito agressivo e batendo nos outros (incluindo meu filho) e, como eu o conhecia desde pequeno e sabia que não era assim, resolvi perguntar a respeito. Na conversa, percebi que ele tinha perdido o pai e embora já tivesse um tempo, não sabia como lidar com a situação. E o pior, não estava contando nada à mãe porque “ela já estava cheia de problemas”.  


Embora eu também tenha meus próprios problemas e meu tênis não esteja muito novo, o dele estava pior e nem estava percebendo. Como mãe, além de perceber quais mudanças preciso fazer em busca de meu próprio conforto, também preciso compreender  meu filho adolescente em suas tentativas pessoais para tanto. Todavia, é possível estimular uma percepção mais aguçada, com melhor discernimento para uma busca de sentido e conforto em lugares, situações, relacionamentos e “tênis” mais adequados. 


Voltando a história do juvenil… Dei essa oportunidade à mãe dele: de saber o que estava acontecendo. Na época, pedi a uma vizinha que tinha mais intimidade para conversar com ela. Assim, ela pôde ajudar o filho e, com o tempo, acabamos ficando todos amigos. Enfim, há muitos tênis que podem ser trocados por aí! Como está o seu?


terça-feira, 2 de setembro de 2025

Fogo ou leveza: você decide!

Reflexão sobre Números 11

“14 Eu só não posso levar a todo este povo, porque muito pesado é para mim.

15 E se assim fazes comigo, mata-me, peço-te, se tenho achado graça aos teus olhos, e não me deixes ver o meu mal.

16 E disse o Senhor a Moisés: Ajunta-me setenta homens dos anciãos de Israel, que sabes serem anciãos do povo e seus oficiais; e os trarás perante a tenda da congregação, e ali estejam contigo.

17 Então eu descerei e ali falarei contigo, e tirarei do espírito que está sobre ti, e o porei sobre eles; e contigo levarão a carga do povo, para que tu não a leves sozinho.”

*****

Moisés era manso, o mais manso da terra, mas tinha limites também. Reconhecer o próprio cansaço é crucial para a sobrevivência. Quem não se conhece, não se percebe, não providencia alívio. Moisés seguiu a ordem do Mestre: "Vinde a Mim, vós que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei... Aprendei de Mim que sou manso e humilde ... E achareis descanso" (Mateus 11:28).

A solução dada por Moisés era que Deus o presenteasse com a morte. Sim, porque ouvir 600 mil homens (fora mulheres e crianças) reclamando por carne à porta da tenda, após colher o maná grátis e fresco, hum, era demais para ele.  

Mas a solução de Deus foi diferente e eficaz. Aliás, Ele mesmo diz "aprendei de Mim". Deus providenciou 70 homens que poderiam carregar o peso da responsabilidade com Moisés, através do Espírito Santo. No meio da multidão, 71 pessoas carregariam o fardo de liderar o povo com os frutos e a plenitude do Senhor. 

E ainda mais, Deus permitiu que o povo aprendesse com a própria experiência: o que provém de Deus é melhor do que os próprios desejos proque os seus pensamentos são melhores que os nossos (Isa 55:9). Trocar o Maná Power super vitaminado por carnes do Egito teve consequências. 

Quem reclama recebe fogo e excessos. Quem desabafa, recebe ajuda e apoio. Devemos ser sóbrios e vigilantes sobre os nossos sentimentos e palavras. Os primeiros impulsos das insatisfações devem ser dominados logo quando surgem em nossa mente. Apresentemos nossos pedidos a Deus com ações de graças, orações e súplicas (Fil 4:6). 

Que possamos ser agradecidos pelas providências diárias do Senhor; que as nossas preocupações sejam compartilhadas com Ele; que o Senhor providencie nossa rede de apoio o quanto antes, principalmente em oração; que ao desanimarmos em nossa caminhada ou sentirmos o peso da responsabilidade ao lidar com as batalhas espirituais em nossas casas, possamos ter com quem contar, possamos ter amigos (as) de cOração.